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Cerâmica Marajoara Amazônia
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Cerâmica da Pará, Ceramica Amazônia, Ceramica Artesanal


A  Cerâmica Marajoara  é fruto do trabalho dos índios da Ilha de Marajó. A fase mais estudada e conhecida se refere ao período de 400/1400 dC.  Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, cercada pelos rios Amazonas e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico. Localiza-se no estado do Pará-PA, região norte do Brasil.

O maior acervo de peças de Cerâmica Marajoara encontra-se no Museu Emilio Goeldi em Belém-PA. Há também peças no Museu Nacional no Rio de Janeiro, (Quinta da Boa Vista), no Museu Arqueológico da USP em São Paulo-SP, e no Museu Universitário Prof Oswaldo Rodrigues Cabral ,na cidade de Florianópolis-SC e em museus do exterior - American Museum of  Natural History-New York e  Museu Barbier-Mueller  em Genebra. 


      Um dos maiores responsáveis, atualmente, pela memória e resgate da civilização indígena da ilha de  Marajó é Giovanni Gallo, que criou  em 1972 e administra o Museu do Marajó , localizado em Cachoeira do Arari.  O museu  reúne  objetos representativos da cultura da região - usos e costumes.
 
Para se chegar à ilha leva-se 3 horas de barco, ou 30 minutos, de avião, partindo-se de Belém, capital paraense. Visando manter a tradição regional, o museólogo criou  um ateliê de cerâmica onde são reproduzidas e comercializadas peças copiadas do acervo.  O barro é modelado manualmente com a  técnica das cobrinhas (roletes), sem o uso do torno de oleiro.


Os índios de Marajó faziam peças utilitárias e decorativas. Confeccionavam vasilhas, potes, urnas funerárias, apitos, chocalhos machados, bonecas de criança, cachimbos, estatuetas, porta-veneno para as flechas,  tangas (tapa-sexo usado para cobrir as genitália das moças) – talvez as únicas, não só na América mas em todo o mundo, feitas de cerâmica.

     Os objetos eram zoomorfizados (representação de animais) ou antropomorfizados (forma semelhante ao homem ou parte dele), mas também  poderiam misturar as duas formas-zooantropomorfos.

 Visando aumentar a resistência do barro eram agregadas outras substâncias-minerais ou vegetais: cinzas de cascas de árvores e de ossos, pó de pedra e concha e o cauixi-uma esponja silicosa que recobre a raiz de árvores, permanentemente submersas.

      As peças eram  acromáticas (sem uso de cor na decoração, só a tonalidade do barro queimado) e cromáticas. A coloração era obtida com o uso de engobes (barro em estado líquido) e com pigmentos de origem vegetal. Para o tom vermelho usavam o urucum, para o branco o caulim, para o preto o jenipapo, além do carvão e da fuligem.
      Depois de queimada, em forno de  buraco ou em fogueira a céu aberto, a peça recebia uma espécie de verniz obtido do breu do jutaí, material que  propiciava um acabamento lustroso.

   A descoberta de artefatos marajoaras é dificultada  por ser o solo da ilha extremamente úmido e sujeito a  inundações periódicas. Infelizmente, no correr dos anos, muitos objetos encontrados em escavações arqueológicas  foram saqueados e até contrabandeados para o exterior - um grave desrespeito ao patrimônio cultural brasileiro.

     Hoje em dia o mais importante pólo de resgate da cerâmica marajoara no estado do Pará encontra-se  em Icoaraci, localidade próxima à cidade de Belém. 
     Os artesãos usam o barro colhido nas margens dos igarapés da região, modelam, à mão ou em tornos-de-pé, réplicas, peças utilitárias e decorativas, queimam em rústicos fornos a lenha, decoram com engobes, e usam a técnica de brunir.

Através do Liceu de Artes e Ofícios do local, fundado em 1996, são formados novos artistas do barro voltados para a preservação e a renovação desta cultura. Estes artesãos redesenham a cerâmica marajoara com novas formas, não deixando, entretanto, de fazer réplicas.
     O Liceu  leva o nome do Mestre Cardoso-Raimundo  Saraiva Cardoso figura de destaque nos trabalhos de  resgate da cerâmica marajoara.  O Mestre e sua mulher Inês Cardoso trabalham para o Museu Emílio Goeldi fazendo réplicas de peças Marajoaras. 

Outros nomes importantes, do passado e do presente, no que se refere à cerâmica em Icoaraci são: Seu Cabeludo (Antonio Farias de Vieira), Seu Anísio , Amiraldo, Mestre Rosemiro, Dona Ana, Dona Zuíla, Elias, Cauby, Antonio, Levi, Ademar, Wilson, Júlio, Manuel, Guilherme Santana e Hildelmar.

Em Icoaraci existem dezenas de ateliês  confeccionando peças que são vendidas para o mercado interno e externo. Um dos principais locais de comercialização é a COARTI- Cooperativa dos Artesãos de Icoaraci, localizada na rua Padre Júlio Maria, próximo à Praça da Matriz; na SOAMI-Sociedade dos Amigos de Icoaraci, Passagem Espírito Santo 20 A, e na COSAPA-Conselho Superior do Artesão do Pará, Travessa Soledade 700
      Em Belém podem ser encontradas em diversas lojas da Av Pres Vargas.
  
  Pela internet podem ser adquiridas peças através do site:
http://www.artesanato.web500.com.br


Fonte: www.ceramicanorio.com

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